O escritor Reinaldo Moraes, Artista Residente do IdEA em 2019, acaba de lançar Noitada, novo romance publicado pela editora Todavia. Ambientada durante as manifestações de junho de 2013, a obra acompanha uma única noite na vida de Kabeto e Mina, personagens que atravessam a cidade de São Paulo rumo a um encontro que servirá de ponto de partida para uma sucessão de diálogos, memórias, reflexões e situações inesperadas.
A narrativa se inicia em um táxi preso no trânsito provocado pelos protestos que marcaram aquele período. A partir de uma situação aparentemente banal, Moraes constrói uma trama marcada pelo humor, pela observação dos costumes urbanos e por uma série de digressões que transformam o percurso pela cidade em um retrato das inquietações de seus personagens e de seu tempo.
Velho conhecido dos leitores do autor, Kabeto retorna como protagonista de uma história povoada por figuras ligadas ao universo artístico e intelectual paulistano. Ao longo da noite, temas como política, desejo, relações afetivas e os impasses da classe média progressista aparecem filtrados pelo olhar irônico e pela linguagem inventiva que se tornaram marcas registradas da escrita de Moraes.
Autor de livros como Pornopopeia, Tanto Faz e Maior que o Mundo, Reinaldo Moraes é reconhecido por combinar elaboração literária, oralidade e humor em narrativas que desafiam convenções e exploram os limites da linguagem. Em Noitada, essas características reaparecem em uma história que mistura sátira social, experimentação narrativa e situações de forte carga cômica.
Mais do que revisitar personagens já conhecidos, o novo romance reafirma a capacidade de Moraes de transformar acontecimentos cotidianos em literatura. Tendo como pano de fundo um dos momentos mais marcantes da história recente do país, Noitada oferece ao leitor uma jornada noturna repleta de excessos, contradições e observações afiadas sobre a vida urbana contemporânea.
Sobre o Programa “Hilda Hilst do Artista Residente
O Programa “Hilda Hilst” do Artista Residente da Unicamp, criado em 1985, tem por objetivo trazer para a Universidade a possibilidade de manter um contato particular com a produção artística atual e ao mesmo tempo recolocar a Unicamp na vanguarda das ações relativas às relações entre a vida acadêmica e as artes em geral. A proposta visa a aprofundar a qualificação nesta área e a consequente projeção dos alunos envolvidos com as artes. Depois de uma fase inicial, o programa teve um hiato e foi retomado em 2006. A partir de 2017, o Programa do Artista Residente, sob a coordenação do IdEA, foi rebatizado em homenagem a Hilda Hilst, primeira participante da iniciativa.
