A literatura como espaço de construção de identidades e de ampliação das narrativas sobre a experiência nipo-brasileira esteve no centro da conversa entre os escritores Oscar Nakasato e André Kondo, realizada no Instituto de Estudos Avançados da Unicamp (IdEA). O encontro aconteceu durante a quarta edição do CAfé com IdEA e reuniu o público para uma reflexão sobre os desafios e as possibilidades da representação nikkei na literatura brasileira contemporânea.
Ao abrir o diálogo, André Kondo observou que a literatura produzida por autores descendentes de japoneses ainda carrega uma marca identitária muito visível. Segundo ele, diferentemente de outras tradições migratórias, escritores nikkeis costumam ser chamados a falar sobre sua origem e pertencimento, uma característica que atravessa tanto a recepção de suas obras quanto a forma como esses autores são percebidos pelo público. Para Kondo, essa condição revela a complexidade de discutir uma literatura que dialoga com a experiência da imigração sem deixar de tratar de temas universais.
Na sequência, Oscar Nakasato reforçou que seus romances não pretendem dialogar apenas com leitores descendentes de japoneses. Ao recordar o relato de um leitor judeu que se reconheceu em Nihonjin, o escritor defendeu que a literatura alcança seu maior potencial quando consegue transformar experiências particulares em questões humanas compartilhadas. Embora a imigração japonesa constitua o pano de fundo de parte de sua obra, os conflitos vividos por seus personagens dizem respeito a temas como memória, pertencimento, identidade e relações familiares.
Durante a conversa, Nakasato também chamou atenção para a presença ainda reduzida de personagens e autores nikkeis na literatura brasileira e em outras áreas culturais, como o audiovisual. Para o escritor, essa incipiência ajuda a explicar por que a identidade nipo-brasileira continua sendo um tema recorrente na produção literária contemporânea, frequentemente marcada pela experiência de viver entre diferentes referências culturais. Ao mesmo tempo, destacou que novas obras e novos autores vêm ampliando esse repertório, contribuindo para uma representação mais diversa e complexa da experiência nikkei no Brasil.
Confira o babte-papo entre os escritores durante a quarta edição do Café com IdEA.
