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Blog Vol. 1, No. 2 (jul./dez 2026)

II Jornada Fausto Castilho reúne pesquisadores na UnB para discutir filosofia, formação docente e pensamento antropofágico

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Encontro em Brasília reuniu pesquisadores de diferentes universidades e incorporou às atividades uma reunião do Grupo de Estudos sobre o Pensamento Antropofágico de Fausto Castilho, vinculado ao IdEA

A relação entre filosofia, formação docente e pensamento brasileiro esteve no centro da II Jornada Fausto Castilho, realizada nesta semana na Universidade de Brasília (UnB). O encontro reuniu professores, pesquisadores e estudantes de diferentes instituições para retomar a obra e o legado intelectual de Fausto Castilho e discutir seus desdobramentos para o ensino, a universidade e a reflexão filosófica contemporânea.

Realizada em parceria com a Fundação Fausto Castilho, a segunda edição da Jornada deu continuidade ao encontro iniciado em 2024. A programação reuniu participantes de diferentes estados e também do exterior, com atenção especial à formação de professores, às licenciaturas e à participação de estudantes vinculados ao Programa Institucional de Bolsa de Iniciação à Docência (Pibid).

Representantes do Instituto de Estudos Avançados da Unicamp (IdEA) também participaram das atividades em Brasília. Um dos momentos da programação foi dedicado ao grupo de estudos sobre o Pensamento Antropofágico de Fausto Castilho, vinculado ao Instituto, que realizou durante a Jornada mais uma de suas reuniões de trabalho.

Filosofia, universidade e formação

Na abertura, a professora Priscila Rufinoni destacou a importância de aproximar teoria e prática na formação em Filosofia. Em sua avaliação, a licenciatura e a extensão universitária constituem espaços importantes para estabelecer essa conexão e, ao mesmo tempo, responder tanto aos questionamentos externos sobre a relevância da área quanto à necessidade de revisão de métodos e cânones dentro da própria disciplina.

A formação docente também apareceu como um dos elementos que aproximam a proposta da Jornada da trajetória de Fausto Castilho. Durante a abertura, o professor Rogério Basali ressaltou sua atuação como professor, fundador de instituições e criador de cursos, relacionando a homenagem à preocupação de Castilho com o ensino e com a formação filosófica. Texto colado

O debate foi retomado pelo professor Alexandre Guimarães, presidente do Instituto Fausto Castilho e coordenador do grupo de estudos do IdEA. Ao abordar a preocupação de Castilho com a formação docente e com diferentes níveis de ensino, Guimarães relacionou o tema às discussões atuais sobre educação e defendeu a importância de preservar a articulação entre formação pedagógica e domínio dos conteúdos.

Uma leitura antropofágica de Fausto Castilho

A participação do grupo vinculado ao IdEA concentrou-se em uma vertente que vem ganhando espaço nas pesquisas sobre o filósofo: a dimensão antropofágica de seu pensamento. O grupo trabalha com diferentes eixos, entre eles antropofagia, tradução filosófica, universidade e geopolítica, articulando aspectos da produção intelectual e da atuação institucional de Castilho.

Durante o encontro, Guimarães apresentou um percurso conceitual que relaciona a antropofagia dos povos originários, a leitura dos indígenas brasileiros realizada por Montaigne, o movimento antropofágico modernista e as formulações posteriores em torno da tradução e da produção intelectual brasileira. Nesse percurso, a antropofagia aparece menos como referência literal e mais como uma operação de crítica, assimilação e transformação de ideias.

Essa perspectiva também orienta a leitura da atuação de Fausto Castilho como tradutor. O princípio de estudar os textos filosóficos em suas línguas originais e produzir sua expressão em português é relacionado pelo grupo à construção de um léxico filosófico próprio e à possibilidade de apropriação crítica de tradições intelectuais produzidas fora do país.

As discussões realizadas pelo grupo no IdEA já passaram ainda pela biografia de Castilho, pela reflexão sobre a existência de uma filosofia brasileira e pelas relações entre filosofia “no Brasil” e “do Brasil”. Parte dessa produção também resultou em atividades de divulgação e debate promovidas pelo Instituto.

Do legado a novas questões

A Jornada também abriu espaço para pensar como esse legado pode produzir novas questões. Entre os desdobramentos propostos está a reflexão sobre uma possível antropofagia do século XXI, capaz de atualizar o debate diante das questões contemporâneas. A ideia de elaboração de um novo manifesto antropofágico chegou a ser apresentada como uma provocação para os próximos trabalhos do grupo.

Ao reunir pesquisadores, professores em formação e estudantes em torno dessas questões, a II Jornada Fausto Castilho ampliou o diálogo entre o trabalho desenvolvido pelo grupo de estudos do IdEA e pesquisadores de outras instituições. Mais do que revisitar a trajetória do filósofo, o encontro colocou seu pensamento em circulação como ponto de partida para discutir universidade, educação, tradução, pensamento brasileiro e formação docente — temas que permanecem no horizonte das atividades do grupo.

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