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Hilda Hilst e o legado vivo da arte na Unicamp

Aniversário de Hilda Hilst destaca seu legado e inspira o Programa Artista Residente do IdEA na Unicamp

No dia 21 de abril, o Instituto de Estudos Avançados da Unicamp (IdEA) relembrou o nascimento de Hilda Hilst (1930–2004), uma das mais importantes vozes da literatura brasileira do século XX. Escritora, poeta e dramaturga, sua obra atravessa diferentes gêneros e permanece como referência pela densidade filosófica, experimentação estética e intensidade lírica. Em Campinas, cidade onde viveu grande parte de sua vida, sua presença segue viva não apenas na memória cultural, mas também em iniciativas institucionais que preservam e atualizam seu legado.

É nesse contexto que se insere o Programa “Hilda Hilst” do Artista Residente, hoje vinculado ao IdEA. Criado em 1985, o programa teve a própria Hilda como sua primeira artista residente, inaugurando uma proposta inovadora de aproximação entre a produção artística contemporânea e o ambiente universitário. Décadas depois, a iniciativa foi retomada e, em 2017, rebatizada em sua homenagem, consolidando o reconhecimento de sua importância para a história cultural da Unicamp.

Visando promover o intercâmbio entre artistas e a comunidade acadêmica, o programa busca ampliar as possibilidades de diálogo entre diferentes campos do saber. A presença de artistas residentes permite não apenas o compartilhamento de processos criativos, mas também a construção de experiências formativas que impactam diretamente estudantes, pesquisadores e o público. Trata-se de uma aposta institucional na arte como dimensão fundamental da produção de conhecimento.

Ao longo dos anos, o programa reuniu nomes expressivos de diferentes áreas. Entre eles, destacam-se o escritor Marcelo Rubens Paiva, a cineasta Laís Bodanzky, o multiartista Antonio Nóbrega e a jornalista Daniela Arbex. Suas residências, realizadas em diferentes períodos, refletem a diversidade de linguagens contempladas pelo programa e reforçam seu caráter interdisciplinar.

Mais do que uma agenda de atividades, o Programa “Hilda Hilst” do Artista Residente se configura como um espaço contínuo de experimentação e reflexão. Ao celebrar o aniversário de Hilda Hilst, a Unicamp e o IdEA não apenas homenageiam uma de suas figuras mais emblemáticas, mas também reafirmam o compromisso com uma universidade aberta às artes, ao pensamento crítico e à invenção.

Ao evocar o percurso de Hilda Hilst, o programa que leva seu nome reafirma a permanência de uma obra que nunca se acomodou aos limites formais ou temáticos de seu tempo. Entre a intensidade da escrita e o gesto radical de se retirar para a Casa do Sol, em Campinas, Hilda construiu um território singular de criação e pensamento. Celebrá-la, portanto, é também reconhecer a atualidade de sua voz — inquieta, provocadora e profundamente livre — que segue atravessando gerações e inspirando novas formas de relação entre arte, universidade e vida.

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