A violência nas escolas é um fenômeno que tem crescido de forma preocupante. Segundo dados obtidos pela EPTV via Lei de Acesso à Informação, os casos de agressões físicas e verbais em escolas estaduais de Campinas aumentaram 26,8% em 2025, totalizando 4.678 registros entre fevereiro e agosto.
Para a professora Telma Vinha, da Faculdade de Educação da Unicamp e Coordenadora do grupo de estudos “Escola e convivência democrática: participação, diversidade e políticas públicas” do Instituto de Estudos Avançados (IdEA), os números refletem uma crise de escuta, vínculo e diálogo.
Em entrevista ao G1, a pesquisadora aponta causas para alta de agressões. “Os adolescentes dizem que não são ouvidos — nem na família, nem na escola. Precisamos ampliar os espaços de escuta e fortalecer políticas que transformem o cotidiano escolar”, explica.
Segundo a pesquisadora, a exposição constante a conteúdos violentos e discursos de ódio nas redes sociais tem agravado o quadro, criando um “ecossistema de violência” que ultrapassa os limites da escola. “As ações de política pública ainda não têm sido efetivas. Protocolos e manuais não mudam sozinhos a cultura escolar — é preciso envolvimento e tempo para reflexão coletiva”, aponta.
Telma defende que o enfrentamento da violência passa pela criação de ambientes escolares mais participativos e empáticos, com rodas de diálogo, assembleias de alunos e programas de mediação de conflitos. “A escola precisa voltar a ser um espaço de cuidado, pertencimento e reconstrução democrática.”
O grupo de pesquisa coordenado pela professora atua justamente nesse sentido: conectar ciência, prática educativa e políticas públicas em prol de uma educação pública, gratuita, de qualidade e socialmente referenciada.
Confira a entrevista completa ao G1.
