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Casa do Sol reabre como espaço cultural e preservação da memória de Hilda Hilst

Casa do Sol reabre após cinco anos, restaurada e viva como centro cultural que preserva e difunde o legado de Hilda Hilst.

A Casa do Sol, residência histórica da escritora Hilda Hilst em Campinas, voltou a abrir suas portas em agosto após cinco anos fechada. Mais do que um endereço simbólico, o espaço carrega a marca de um projeto de vida: foi concebido pela autora como um refúgio criativo, onde pudesse se dedicar integralmente à literatura. Agora, restaurada e com infraestrutura renovada, a Casa retoma seu papel como centro cultural e guardiã do acervo da escritora.

O processo de restauro durou 18 meses e envolveu desde a reestruturação elétrica e hidráulica até a recuperação de telhado, forro, pisos e jardim. Algumas áreas foram adaptadas para atender à nova função da Casa, como a edícula, que passa a abrigar eventos, e o antigo canil, transformado em espaço artístico. As intervenções buscaram manter a essência do projeto arquitetônico original, tombado pelo Condepacc, conciliando preservação histórica com adequações necessárias à segurança e ao uso contemporâneo.

Entre os destaques da reabertura está o quarto de Hilda, agora transformado em núcleo central da residência. O espaço abriga documentos, registros, biblioteca pessoal, roupas e objetos da escritora, permitindo aos visitantes um mergulho íntimo em sua trajetória. Essa curadoria reforça o duplo papel da Casa: lugar de memória e também de produção cultural, já que o espaço passa a receber regularmente atividades literárias, artísticas e educativas.

Com a reinauguração, a Casa do Sol consolida-se como patrimônio vivo, projetando o legado de Hilda Hilst para novas gerações. Mais do que restaurar paredes e telhados, o trabalho devolveu à cidade um espaço de encontro, criação e reflexão, mantendo acesa a chama da autora que transformou sua vida em literatura e fez da casa um verdadeiro símbolo da liberdade artística.

Programa “Hilda Hilst” do Artista Residente

Hilda Hilst é a patronesse do Programa Artista Residente, sendo a primeira artista residente da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), em 1985. A partir de 2017, o programa foi reformulado ganhando o nome de Programa “Hilda Hilst” do Artista Residente, vinculado ao Instituto de Estudos Avançados (IdEA).

Sobre Hilda Hilst

Hilda Hilst, uma das maiores escritoras brasileiras, nasceu em Jaú (SP), em 21 de abril de 1930. Estudou em São Paulo, primeiro como interna no Colégio Santa Marcelina e depois no Instituto Mackenzie. Em 1948, ingressou no curso de Direito da USP, no Largo São Francisco, onde se formou em 1952. Ainda estudante, lançou sua primeira obra poética, Presságio (1950), seguida por Balada de Alzira (1954). Na década seguinte, vivendo na capital, ampliou sua produção com títulos como Trovas de Muito Amor para um Amado Senhor (1960), Ode Fragmentária (1961) e Sete Cantos do Poeta para o Anjo (1962), este último vencedor do Prêmio Pen Clube de São Paulo.

Em meados dos anos 1960, Hilda retornou ao interior e, em 1966, fixou residência definitiva na Casa do Sol, em Campinas, espaço que se tornaria um marco de sua vida e obra. Ali consolidou sua trajetória literária, que inclui poesia, dramaturgia e prosa experimental.

Em 1977, publicou Ficções, premiado como Melhor Livro do Ano pela Associação Paulista de Críticos de Arte (APCA). Poucos anos depois, em 1980, recebeu da mesma instituição o Grande Prêmio pelo conjunto de sua obra, reconhecimento à força e originalidade de sua produção.

Hilda Hilst faleceu em Campinas, em 4 de fevereiro de 2004, deixando um legado que atravessa gerações e mantém sua presença viva na literatura brasileira.

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