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Pesquisa estratégica em tempos de policrise: desafios entre desordem e catástrofe

Debate no IdEA reúne pesquisadores para discutir os desafios da produção de conhecimento em contextos de policrise global

A residência científica de Sabrina Fernandes no IdEA promoveu, na última sexta-feira (10), o bate-papo “Pesquisa estratégica entre a desordem e a catástrofe”, com participação do economista Juliano Fiori, diretor do Instituto Alameda, e da pesquisadora Vanessa Oliveira (PUC-SP/Alameda). A atividade reuniu público no Instituto de Estudos Avançados para discutir os desafios da produção de conhecimento em um cenário marcado pela policrise planetária.

Ao longo da conversa, os participantes abordaram como a interdependência das crises – ecológicas, econômicas e políticas – tem reconfigurado tanto os objetos quanto os métodos de pesquisa. Juliano Fiori destacou que o momento atual é caracterizado por uma condição de desordem global, em que a ideia de catástrofe não se limita a eventos isolados, mas expressa transformações estruturais em curso. Nesse contexto, ganha força um imaginário de futuro marcado por distopias, associado à crise de hegemonia, à fragmentação das relações de trabalho e ao agravamento do colapso ecológico.

A discussão também enfatizou o papel da pesquisa estratégica diante desse cenário. Para Fiori, a produção de conhecimento precisa ir além da interpretação e se articular com processos de transformação social, operando em diferentes escalas e dialogando com formas concretas de organização. Ao mesmo tempo, apontou limites e tensões: a pesquisa não oferece respostas imediatas nem soluções únicas para problemas complexos e em constante mudança.

A partir de experiências em pesquisa de campo e projetos de extensão na América Latina, Vanessa Oliveira destacou a importância da imersão e da escuta qualificada como parte do método. Segundo ela, a produção de conhecimento exige atenção às dinâmicas locais e às formas de resistência frequentemente invisibilizadas, além de cuidado para não reproduzir simplificações ou estereótipos, especialmente em contextos marcados por alta mediatização.

Na mediação, Sabrina Fernandes chamou atenção para a pressão por respostas rápidas em temas complexos, intensificada pelas dinâmicas de comunicação digital. A pesquisadora apontou que, nas ciências sociais, grande parte do trabalho está concentrada no diagnóstico, que precisa acompanhar a transformação contínua dos problemas. Nesse sentido, a construção de alternativas depende de análises consistentes, capazes de identificar padrões e orientar caminhos possíveis, ainda que sem oferecer soluções fechadas.

O encontro integrou a programação da residência científica “Policrise planetária e o desafio da transição”, realizada no IdEA/Unicamp por meio do Programa “Cesar Lattes” de Cientista Residente. A iniciativa promove o diálogo interdisciplinar e amplia a circulação pública do conhecimento, conectando pesquisa acadêmica, debate público e desafios contemporâneos.

A seguir, confira no canal do IdEA o encontro.

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