A socióloga e economista Sabrina Fernandes, nova cientista residente do Programa Cesar Lattes do Instituto de Estudos Avançados (IdEA) da Unicamp, concedeu uma entrevista ao Jornal da Unicamp em que apresenta as ideias que orientam sua residência científica na Universidade. Entre março e maio, a pesquisadora desenvolve uma programação que inclui palestras, bate-papos e oficinas abertas ao público, todas atravessadas por um tema central: a chamada policrise planetária, conceito que descreve a interação entre múltiplas crises globais que se intensificam mutuamente.
Na conversa com o Jornal, Fernandes explica que sua pesquisa busca compreender como diferentes propostas de transição ecológica, climática ou justa precisam ser pensadas de forma integrada. Segundo ela, não se trata apenas de reconhecer que existem várias crises acontecendo ao mesmo tempo, mas de entender que elas se conectam e podem se agravar umas às outras. “Uma solução parcial ou equivocada para um problema pode acabar agravando outro”, afirma a pesquisadora.
A palestra de abertura da residência, intitulada “O desafio da policrise planetária e as visões de túnel que confundem caminhos“, parte justamente dessa perspectiva. Fernandes destaca que compreender o momento atual exige olhar além das fronteiras nacionais e reconhecer que existe um ecossistema global, no qual questões ambientais, econômicas e políticas estão profundamente interligadas. Para ela, isso também exige repensar conceitos como cooperação, solidariedade e responsabilidade entre países e povos.
Mesmo diante de um cenário marcado por conflitos, desigualdades e riscos ambientais, a pesquisadora defende que é possível manter uma perspectiva voltada para o futuro. “A gente está com um olhar muito pessimista para o futuro — e eu concordo, porque eu mesma sou muito pessimista — mas isso não exclui ter um olhar apaixonado”, diz. “É esse olhar apaixonado que vai dar energia para a gente construir alternativas.”
A entrevista também aborda temas que aparecem na programação da residência, como o conceito de ecoceno, que propõe refletir sobre as condições necessárias para que a vida humana continue possível no planeta. Em outras atividades, Fernandes discutirá conflitos de soberania, militarismo, transição energética e as transformações do cenário internacional. A programação inclui ainda uma oficina dedicada aos desafios da divulgação científica e do engajamento público, tema que dialoga com sua experiência no projeto digital Tese Onze.
Ao longo da entrevista, Sabrina Fernandes comenta ainda sua trajetória intelectual, seus livros e o trabalho recente de reedição de obras de Karl Marx e Friedrich Engels no Brasil. Para conhecer em detalhes suas reflexões sobre policrise, soberania, comunicação científica e os desafios do mundo contemporâneo, vale conferir a entrevista completa publicada pelo Jornal da Unicamp.
A seguir, confira a programação completa.
Programação
- Palestra “O desafio da policrise planetária e as visões de túnel que confundem caminhos”
- 17 de março, às 14h | Instituto de Economia da Unicamp (IE)
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- Oficina sobre divulgação científica
- 01 de abril, às 14h | Instituto de Estudos Avançados da Unicamp (IdEA)
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- Roda de conversa: “Da linguagem do conhecimento à linguagem do engajamento: refletindo sobre a comunicação nas plataformas digitais”
- 09 de abril, às 14h | Instituto de Estudos da Linguagem da Unicamp (IEL)
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- Bate-papo “Pesquisa estratégica entre a desordem e a catástrofe”
- 10 de abril, às 14h | Instituto de Estudos Avançados da Unicamp (IdEA)
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- Bate-papo “Ecocídio e genocídio na periferia do mundo”
- 11 de maio, às 14h | Instituto de Estudos da Linguagem da Unicamp (IEL)
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- Palestra de encerramento “Ecoceno: a transição como um desvio ao futuro”
- 14 de maio, às 14h | Instituto de Economia da Unicamp (IE)
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Sobre o Programa “Cesar Lattes” do Cientista Residente
O programa homenageia o físico paranaense Cesar Lattes (1924-2005), um dos maiores nomes da ciência brasileira e co-descobridor do méson pi. Inspirado em sua trajetória de inovação e intercâmbio internacional, o programa convida pesquisadores de excelência a desenvolver atividades de difusão científica, fortalecendo o papel da Unicamp como espaço de reflexão avançada e de trocas globais.
