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Do acervo ao podcast: como o Grupo GESom, do IdEA, transformou a memória sonora de Conrado Silva em pesquisa

Do acervo de Conrado Silva na Unicamp nasce uma série de podcasts que transforma documentos sonoros em pesquisa, memória e escuta.

Como transformar um acervo histórico em uma nova forma de conhecimento? Essa é a pergunta que atravessa um dos trechos da entrevista com o professor José Augusto Mannis (Instituto de Artes da Unicamp), em que ele comenta o ponto de partida da série de podcasts produzida pelo Grupo GESom sobre a vida e a obra de Conrado Silva.

O início da investigação está no próprio acervo do compositor, hoje preservado na Unicamp. Documentos sonoros, escritos e visuais — reunidos no Centro de Documentação de Música Contemporânea (CDMC) — revelam a amplitude da trajetória de Conrado Silva, que foi músico, educador, pesquisador e engenheiro acústico. Ao se deparar com esse material ainda em processo de organização, Mannis viu ali uma oportunidade: digitalizar parte dos registros e, a partir deles, produzir um estudo que fosse também uma experiência sonora.

A proposta ganhou forma quando um edital permitiu a aquisição de equipamentos para digitalização e produção de podcasts. Em vez de apenas analisar os documentos em textos acadêmicos tradicionais, o grupo decidiu explorar o próprio universo de Conrado Silva — o som — como meio de investigação. Assim nasceu a ideia de uma série de episódios que utilizam registros históricos, entrevistas e interpretações contemporâneas para reconstruir aspectos de sua trajetória.

O projeto também incorporou uma dinâmica coletiva. Após a digitalização do material, os pesquisadores foram convidados a explorar livremente o acervo. Cada subgrupo escolheu um tema, estabelecendo um “mapa aberto” de investigação. A partir dessas escolhas, surgiram episódios que combinam análise documental com experiências pessoais de pesquisadores que conviveram com Conrado Silva.

Mais do que contar uma história, o objetivo era permitir que diferentes perspectivas emergissem da documentação. Como explica Mannis, a maneira como organizamos e priorizamos informações também produz conhecimento. E, no caso da documentação sonora, esse conhecimento pode surgir diretamente da escuta.

Não por acaso, a série opta pelo formato podcast. Para Mannis, essa escolha dialoga diretamente com o legado do compositor. “A escuta é o nosso instrumento de análise do real a partir do que percebemos pelo som”, comenta o professor.

Ao falar sobre o trabalho com o acervo, o professor lembra que não existe apenas uma forma de ouvir. Há escutas técnicas, sensíveis, analíticas, cotidianas ou simplesmente lúdicas — e cada uma revela aspectos diferentes do mesmo material sonoro.

Esse trecho da conversa oferece uma visão dos bastidores do projeto e ajuda a entender como pesquisa acadêmica, documentação histórica e criação sonora podem se encontrar.

Assista ao trecho completo da entrevista realizada ao IdEA em pauta.

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